38.4 C
Brasil
domingo, setembro 19, 2021

Idec reprova rotulagem aprovada pela Anvisa

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) reprovou a proposta da Anvisa sobre a nova rotulagem nutricional de alimentos. Os pontos contestados pelo órgão são a escolha do modelo de lupa para estampar a parte frontal das embalagens e o perfil de nutrientes selecionado, que “deixará muitos alimentos e bebidas, que deveriam ser rotulados por conta da sua composição nutricional inadequada, sem rótulo frontal”.

Em relação à lupa como símbolo escolhido para estampar o rótulo frontal, o Idec diz que a opção final aprovada pela Anvisa “é completamente diferente do sugerido durante a consulta pública realizada pela agência em 2019”.  Um parecer publicado pelo Laboratório de Design de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Paraná (LabDSI da UFPR), na terça-feira, 6, aponta incongruências no modelo aprovado pela agência e o definido para consulta pública em 2019.

“Apesar de a Anvisa manter o símbolo da lupa da proposta inicial, o atual desenho diferencia-se em seu design da informação, comprometendo a legibilidade, clareza e simplicidade gráficas. A legibilidade do novo modelo proposto ainda fica comprometida com uso de tipografia em corpo muito reduzido e diminuição do espaço ocupado pelo rótulo na face frontal das embalagens”, diz o documento da universidade.

“A alteração do desenho do rótulo, diminuição do corpo tipográfico e do espaço de ocupação da rotulagem frontal não possuem evidência científica de sua eficácia comunicativa, visto que não foram testados no Brasil, particularmente quanto à visibilidade e legibilidade das informações. Desta forma, a proposta da Anvisa na Instrução Normativa é frágil, carecendo de fundamentação sólida de pesquisa”, ainda informa o documento.

Segundo o Idec, as evidências científicas disponíveis até o momento demonstram que os modelos de advertência nos formatos de octógonos (adotado no Chile) e triângulos (proposto pelo Idec) são mais efetivos para a compreensão e tomada de decisão de compras dos consumidores. Especialistas ouvidos por VEJA anteriormente também compartilham desta opinião. A lupa, como sugerida na consulta pública, não se mostrou ineficiente, somente menos efetiva que os outros modelos.

Continua após a publicidade

Outro ponto criticado foi a decisão de deixar de fora da rotulagem nutricional frontal os alertas para adoçantes. “Esse é um ponto bastante preocupante, uma vez que sua informação na lista de ingredientes não é clara para o consumidor, e pelas diversas evidências científicas demonstrando riscos à saúde relacionados ao consumo de adoçantes, especialmente no caso de produtos destinados ao público infantil”, comenta Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec.

Além disso, o Instituto crítica o prazo para a norma começar a valer. Na reunião de hoje foi aprovado que as empresas de alimentos e bebidas embalados apenas serão obrigadas a alterar os seus rótulos daqui 2 anos. Produtos específicos, como refrigerantes com embalagem retornável, tem 36 meses adicionais para a adequação dos rótulos, totalizando 5 anos.

“A rotulagem nutricional é um tema de saúde pública, que a cada dia de atraso prejudica a saúde da população e fere o direito à informação dos consumidores brasileiros. Além disso, o prazo estabelecido não é coerente com outros processos regulatórios e nem plausível, ainda mais se considerarmos que as indústrias de alimentos e bebidas participaram desde o início da discussão”, diz Teresa Liporace, diretora executiva do Idec.

Avanços nas informações na tabela nutricional

Apesar de todos os problemas apontados na norma aprovada nesta quarta-feira, 7, o Idec acredita que a Anvisa estabeleceu grandes avanços em relação à tabela de informação nutricional. O Brasil é o único país da América Latina que atrelou a norma de rotulagem frontal à norma de rotulagem nutricional, o que garante a coerência das informações ao consumidor.

“A padronização dos aspectos de design da tabela, como o tamanho, tipo e cor da fonte e o box branco para contrastar as demais cores das embalagens, são essenciais para que a informação seja facilmente visualizada. Além disso, a inclusão dos açúcares totais e adicionados e a apresentação da informação nutricional por 100g ou 100ml também representam um passo importante no direito à informação clara e adequada. Porém, a Anvisa manteve a apresentação da informação nutricional também por porção e por %VD do produto que, além de não serem reais, variando de consumidor para consumidor, são referências que podem gerar confusão na hora da tomada de decisão, ou até induzir o consumidor a erro”, afirma Bortoletto.

Continua após a publicidade

- Advertisement -

Ultimas Notícias

Saiba como atua um urologista

De acordo com o médico urologista Dr. Marco Antonio Quesada Ribeiro Fortes, o profissional especializado em urologia é o responsável por cuidar...

As doenças que afetam o sistema reprodutor masculino – saiba quais são

De acordo com o médico urologista Dr. Marco Antonio Quesada Ribeiro Fortes, o pênis e o sistema reprodutor masculino são extremamente suscetíveis...

Atente-se a sua saúde: Doenças comuns no sistema reprodutor masculino

Muitos homens, de acordo com o médico urologista Dr. Marco Antonio Quesada Ribeiro Fortes, costumam deixar a saúde de lado, o que...

‘Esse endividamento é monstruoso’, diz Bolsonaro sobre prorrogação do auxílio

O presidente Jair Bolsonaro justificou nesta segunda-feira, 19, a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, a impossibilidade do auxílio emergencial ser prolongado em...

Protesto violento marca primeiro ano de revolta social no Chile

Milhares de manifestantes se reuniram no domingo 18 nos entornos da Praça Itália, no centro de Santiago, para comemorar o primeiro aniversário dos grandes...