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segunda-feira, abril 12, 2021

China muda a narrativa: coronavírus teve origem em produto importado

Em primeiro de dezembro do ano passado, o paciente zero, até onde é possível saber, começou a mostrar sintomas de uma estranha doença que viria a ser a grande pandemia do novo coronavírus

Era uma pessoa que trabalhava num mercado de Wuhan, um centro de venda de animais abatidos ou vivos, domésticos ou silvestres, tal como apreciam os chineses.

Em menos de um ano, já morreram 1,5 milhão de pessoas e o caminho zoonótico da doença foi reconstituído, embora com margens a muitas dúvidas: de morcegos consumidos como iguaria, o vírus passou para pangolins, um tipo de tatu com escamas igualmente apreciado, e daí para os humanos, primariamente trabalhadores que manipulavam as carnes exóticas no mercado.

Médicos e cientistas chineses, quando as barreiras da censura permitiram, foram os primeiros a apontar a emergência do vírus no mercado, que passou meses fechado e reabriu, pelo menos de início, sem animais silvestres.

Agora, a narrativa está mudando. O Diário do Povo e seu braço em inglês, o China Daily, passaram a divulgar estudos de pesquisadores chineses que mudam a origem do vírus.

Wu Zunyou, epidemiologista que dirige o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, disse que casos de coronavírus em Pequim e mais três cidades foram relacionados com produtos importados.

Anteriormente, um outro caso, em Qingdao, foi ligado a um lote de bacalhau congelado.

Outros lotes de importados congelados foram posteriormente relacionados ao coronavírus, inclusive salmão da Noruega. Mais recentemente, em embalagens de carnes suínas importadas do Brasil e bovinas do Uruguai.

“Todas as evidências disponíveis indicam que o vírus não começou em Wuhan”, martelou o Diário do Povo por Facebook.

Bem ao contrário, as evidências estão apontando cada vez mais para táticas de acobertamento da eclosão da epidemia.

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Um documento sigiloso obtido por Nick Patton Walsh, da CNN, indica que os casos na província de Hubei, onde fica Wuhan, eram 5.018 em 10 de fevereiro – mais do que o dobro do admitido oficialmente.

O fato de que o documento foi vazado pode ser atribuído ao inconformismo de estudiosos que divergem das posições oficiais, embora temerosos de fazê-lo publicamente.

A linha oficial foi sacramentada no “livro branco” divulgado em 7 de junho, com os seguintes termos: “Enquanto desfechou um combate total para conter o vírus, a China também agiu com um profundo senso de responsabilidade para com a humanidade, seu povo, a posteridade e a comunidade internacional”.

É lógico que o regime chinês entende muito bem como a imagem do país que aspira a ser a superpotência dominante foi prejudicada pelo surgimento do vírus em seus domínios e a falta de transparência.

Com toda a sofisticação de sua máquina de propaganda, o regime pretende agora contrariar não só as evidências de ocultação das informações iniciais, como a própria origem do novo coronavírus.

Todas as informações científicas podem e devem ser contestadas, mas os critérios precisam ser racionais.

Como o vírus teria sido perfidamente introduzido na China sem provocar casos nos países onde supostamente se originou?

Está aí uma pergunta que a comissão especial de investigação da Organização Mundial de Saúde, embora composta por especialistas respeitados, não vai responder. O controle dos trabalhos será dos chineses.

Outra pergunta sem resposta, pelo menos próxima: tendo entrado pioneiramente na epidemia, a China continua com 4.634 mortes e curvas de progressão dos casos que não existem em nenhum outro país – principalmente um com mais de 1,4 bilhão de habitantes. 

Hoje, a China tem no total 279 infectados. 

Por que empanar um controle tão excepcional da doença, mais impressionante ainda quando se vê como esta voltou a castigar países como os Estados Unidos, com uma campanha para empurrar a origem do vírus para cima de outros?

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