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segunda-feira, maio 17, 2021

Discurso de Bolsonaro não foi coerente com suas ações, dizem especialistas

Em seu discurso na cúpula climática organizada pelos Estados Unidos nesta quinta-feira, 22, o presidente Jair Bolsonaro prometeu zerar até 2050 as emissões dos gases de efeito estufa e acabar com o desmatamento ilegal até 2030. A opinião geral de especialistas em meio ambiente e sustentabilidade, porém, é de que a fala não foi coerente com as políticas internas do chefe de Estado desde o início de seu mandato e falhou em apresentar iniciativas concretas do governo federal.

“O discurso do presidente foi radicalmente diferente daquele proferido oito meses atrás, na abertura da Assembleia-Geral da ONU”, diz o biólogo e ambientalista brasileiro João Paulo Capobianco. “Mas a única coisa que mudou neste período foi a troca de governo nos Estados Unidos”. 

“O discurso foi vazio, pois o presidente não tratou de ações concretas que tomará em seu mandato para cumprir os objetivos”, diz Natalie Unterstell, conselheira do Sistema B, movimento de empresas comprometidas com o meio ambiente, e diretora do Instituto Talanoa. “Um sinal desse pode ser muito importante para o setor privado e para os investidores”.

“Ele fez um discurso diplomático, que não trouxe novidades reais em termos de metas ambiciosas”, avalia Izabella Teixeira, bióloga e ex-ministra do Meio Ambiente entre 2010 a 2016. “Ele perdeu a oportunidade de reinserir o Brasil na agenda global climática”.

Além das metas para 2030 e 2050, o presidente prometeu também duplicar o orçamento para fiscalização ambiental. O governo federal, porém, cortou verbas do Ministério do Meio Ambiente para 2021. O corte causou redução de 27,4% do orçamento de 2021 destinado para fiscalização ambiental e combate de incêndios florestais.

A Amazônia perdeu 2,3 milhões de hectares em 2020, 17% a mais do que no ano anterior, o terceiro pior registro dos últimos 20 anos.

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O presidente ainda elogiou a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira, que classifcou como “transversal e abrangente”. Segundo João Paulo Capobianco, a declaração do presidente não passou de uma jogada política, já que as NDCs brasileiras foram revisadas pelo próprio governo Bolsonaro.

“O Brasil está fazendo o que alguns chamam de pedalada climática”, diz o especialista, que é presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade. 

A meta discutida inicialmente pelo governo brasileiro era de reduzir em 1.3 giga-toneladas as emissões de carbono equivalente até 2025, mas foi flexibilizada para 1.8 giga-toneladas. A meta para 2030 também foi ampliada, de 1.2 giga-toneladas para 1.6 giga-toneladas.

“Bolsonaro falou para uma plateia muito bem informada e que conhece a realidade do país, ou seja, não pode esperar que acreditem em declarações falsas”, diz Izabella Teixeira.

Para a professora de Relações Internacionais e Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e especialista em sustentabilidade e meio ambiente, Josilene Ferrer, a promessa do presidente de zerar as emissões de carbono do país até 2050 ecoa o tema principal da COP 26, que será realizada em Glasgow em novembro, mas também deve ser levada a sério pelo governo.

“Se os países desenvolvidos, que são nações com matrizes muito mais carbonizadas do que as nossas, estão se propondo metas semelhantes, acredito que em tese o Brasil também é capaz de cumprir sua promessa”, disse. Segundo a especialista, porém, o Brasil precisa começar a trabalhar imediatamente e investir na capacitação de órgãos públicos e na governança em todo o território.

“É importante lembrar que os demais países em desenvolvimento que se comprometeram com metas semelhantes são nações em que políticas climáticas estão sendo implantadas com mais vontade política e há muito mais tempo do que no Brasil”.

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