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quinta-feira, maio 6, 2021

Entidades internacionais criticam Bolsonaro por resposta à Covid-19

O presidente Jair Bolsonaro segue sendo criticado mundo afora devido à forma como o país está lidando com a pandemia do novo coronavírus. Nesta quinta-feira, 15, em audiência no Parlamento Europeu, deputados insistiram ao embaixador do Brasil na UE, Marcos Galvão, que a crise é resultado de decisões políticas por parte do governo.

As acusações feitas no encontro, que não resultará em votação e serve apenas para pressionar o governo, são corroboradas por um artigo publicado na quarta-feira na revista científica Science. Atribuindo o agravamento da pandemia no Brasil a Bolsonaro, a revista enfatiza as constantes recomendações por parte do presidente de remédios ineficazes, além da ausência de um grande plano nacional para conter a doença.  

“No Brasil, a resposta federal tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção de cloroquina no tratamento, apesar da falta de evidência”, apontam os cientistas brasileiros e americanos envolvidos no estudo.  

De acordo com o artigo, o Sistema Único de Saúde (SUS) tinha a plena capacidade de controlar a pandemia de maneira eficaz, porém o negacionismo visto dentro do Planalto favorece a disseminação do vírus no país. Além disso, é feito um alerta ao fato da volta da fome e da miséria caso a situação permaneça como está.  

“O fracasso em evitar essa nova rodada de propagação facilitará o surgimento de novas variantes, isolará o Brasil como uma grande ameaça à segurança de saúde global e levará a uma crise humanitária completamente evitável”, escrevem.

“Apelo urgente”

Outra instituição a fazer críticas nesta semana ao governo foi o Médico Sem Fronteiras. Em comunicado, o MSF sinaliza para o fato de que mais de um ano desde o início da pandemia de Covid-19, nenhuma resposta prática foi dada pelo governo nacional e faz “um apelo urgente às autoridades brasileiras para que reconheçam a gravidade da crise e coloquem em marcha uma resposta centralizada e coordenada para impedir que continuem ocorrendo mortes que podem ser evitadas”. 

O presidente da organização, o médico Christos Christou, aponta para a disputa política que foi instaurada no meio da pandemia. 

O governo federal praticamente se recusou a adotar diretrizes de saúde pública de alcance amplo e com base em evidências científicas, deixando às dedicadas equipes médicas a tarefa de cuidar dos mais doentes em unidades de terapia intensiva, tendo que improvisar soluções na falta de disponibilidade de leitos”, afirma. “Isto colocou o Brasil em um estado de luto permanente e o sistema de saúde do país à beira do colapso”. 

De acordo com o Médico Sem Fronteiras, 11% do total de novos casos e 26,2% das mortes ocorridas na semana passada aconteceram no Brasil. Apenas no dia 8 de abril, 4.249 mortes foram registradas no período de 24 horas, números “estarrecedores” que indicam uma clara falta de habilidade do governo em lidar com o problema, de acordo com a instituição.

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Nos últimos dados disponibilizados, nesta quinta, 15, o Ministério da Saúde registrou 73.174 novos casos e 3.560 novas mortes nas últimas 24 horas. No total, são 13.746.681 casos e 365.444 óbitos confirmados em todo o território nacional.

Acusações no Parlamento Europeu

Durante a audiência realizada no Parlamento Europeu nesta quinta-feira, o presidente brasileiro foi duramente criticado.

Uma das deputadas que mais deu voz às críticas foi a alemã Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para assuntos relacionados ao Brasil. Além de questionar as ações do governo para lidar com o problema da fome e da miséria, Cavazzini cobrou respostas sobre a morte do povo indígena e o fracasso nas políticas públicas. 

“O que ocorre no Brasil é uma tragédia. Mas poderia ter sido evitada e baseada em decisões políticas equivocadas. A Covid-19 virou uma crise social, com pessoas indo para a cama com fome. O que o governo vai fazer sobre isso”, disse.  

Outro a criticar o Brasil e a propor soluções mais fortes foi o deputado espanhol Miguel Urban Crespo. Para ele, beira o absurdo a UE continuar negociando um acordo comercial com o Mercosul neste momento.

Dentre várias críticas, o questionamento da eficácia do novo auxílio emergencial e a possibilidade de empresas privadas adquirirem doses das vacinas foram as mais citadas.

Em resposta, o embaixador Marcos Galvão foi taxativo a pedir ajuda dos países europeus e foi claro em reconhecer o tamanho da crise no país. “A prioridade é vacina, vacina e vacina. Não tem outra forma de sair desse desastre. Estamos correndo contra o relógio para salvar vidas”, disse no encontro.  

A representante da Comissão Europeia, Veronique Lorenzo, disse que passou a monitorar a situação dramática do Brasil e que, depois do pedido de ajuda por parte do Itamarty, a UE irá enviar a ajuda necessária. O bloco admitiu ainda que os critérios da Covax, o consórcio da OMS para a distribuição de vacinas, deveriam mudar para dar prioridade ao Brasil.  

No consórcio, todos os países recebem um abastecimento inicial de 3% da população e, futuramente, mais 10%.

O Brasil já vacinou cerca de 12% da população com uma dose e apenas 3,6% com as duas doses, de acordo com o projeto Our World in Data, da Universidade de Oxford. 

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