22.4 C
Brasil
segunda-feira, abril 19, 2021

Facebook bloqueia divulgação e compartilhamento de notícias na Austrália

Nesta quinta-feira, 18, os usuários australianos do Facebook foram surpreendidos por uma restrição com a qual não contavam ao abrir a rede social. Eles foram impedidos pela empresa de tecnologia de compartilhar links de notícias. Até o governo, que condenou duramente a medida, foi afetado em comunicações ligadas ao combate à pandemia e outros serviços essenciais. Trata-se de mais um round numa disputa que tem se intensificado no país: a necessidade de gigantes como a plataforma criada por Mark Zuckerberg e o Google pagarem às organizações de imprensa pelo conteúdo compartilhado em suas páginas.

Os órgão de imprensa australianos não conseguiam publicar reportagens no Facebook e as pessoas que tentaram compartilhar notícias receberam mensagens automáticas dizendo que estavam impedidas de fazê-lo. “Esta postagem não pode ser compartilhada”, avisa o site. “Em resposta à legislação do governo australiano, o Facebook restringe a postagem de links de notícias e todas as postagens de páginas de notícias na Austrália. Globalmente, a postagem e o compartilhamento de links de notícias de publicações australianas são restritos.”

A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira um projeto do governo, o Código de Negociação da Mídia de Notícias, que obriga empresas de tecnologia a pagarem pelo jornalismo australiano. Pela legislação, as plataformas digitais e as empresas de mídia podem negociar livremente o pagamento de um determinado valor. Caso não haja um entendimento, esse valor será definido por lei. Logo depois, tanto o Google quanto o Facebook ameaçaram retaliar. A legislação ainda deve ser ratificada pelo Senado para se tornar lei.

O Facebook emitiu na quarta-feira um comunicado assinado por William Easton, responsável pela Facebook na Austrália e Nova Zelândia, no qual diz que a proposta de lei australiana interpreta mal a relação entre a plataforma e os editores que a usam para compartilhar os conteúdos noticiosos: “Isso deixa-nos diante de uma escolha difícil: tentar cumprir uma lei que ignora a realidade desse relacionamento ou parar de permitir conteúdos noticiosos nos nossos serviços na Austrália. É com um peso no coração que escolhemos a última hipótese”.

Sobre as páginas governamentais, de emergência, meteorologia ou de caridade que foram indevidamente bloqueadas, o porta-voz da empresa garante que a funcionalidade desses sites afetados será restabelecida em breve.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, atacou a proibição imposta ao país em sua própria página no Facebook: “As ações do Facebook para afastar a Austrália hoje, cortando os serviços de informação essenciais sobre saúde e serviços de emergência, foram tão arrogantes quanto decepcionantes. Essas ações só vão confirmar as preocupações que um número cada vez maior de países expressam sobre o comportamento das empresas BigTech que se consideram maiores do que governos e que as regras não devem se aplicar a elas. Eles podem estar mudando o mundo, mas isso não significa que eles o comandem. Não seremos intimidados pela BigTech tentando pressionar nosso Parlamento.”

A News Corp. chegou a um acordo com a Alphabet Inc, que controla o Google. Pelo contrato de três anos, a empresa de mídia australiana controlada por Rupert Murdoch anunciou que receberá “pagamentos substanciais” da empresa de tecnologia. A mesma negociação foi feita com organizações de notícias de peso em todo o mundo de língua inglesa, como The Wall Street Journal e New York Post, nos EUA, o Times e o Sun, no Reino Unido, e The Australian e Sky News, na Austrália.

Continua após a publicidade

Ultimas Notícias

Deise Zuqui mostra alguns penteados dos anos 90 que voltaram para a moda

Deise Zuqui é uma grande especialista de moda e, portanto, está sempre por dentro das novas tendências. E, como a moda é...

Atirador mata 8 pessoas em centro de operações da FedEx nos EUA

Um atirador matou oito pessoas e feriu várias outras em um centro de operações da empresa de entregas FedEx em Indianápolis, nos Estados Unidos,...

Ex-policial abre mão de depor em julgamento por morte de George Floyd

Derek Chauvin, ex-policial da cidade norte-americana de Mineápolis, abriu mão nesta quinta-feira, 15, do direito de depor ao júri sobre sua participação na prisão...

Entidades internacionais criticam Bolsonaro por resposta à Covid-19

O presidente Jair Bolsonaro segue sendo criticado mundo afora devido à forma como o país está lidando com a pandemia do novo coronavírus. Nesta...

Em vídeo à CNBB, Papa Francisco pede união em momento crítico

Em um vídeo de 7 minutos enviado à 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Papa Francisco pregou “unidade...