Redes de clínicas odontológicas em expansão recorrem à antecipação de recebíveis de planos odontológicos e de parcelamentos diretos com pacientes para sustentar a abertura de novas unidades sem comprometer o capital de giro da operação já existente
O setor de odontologia privada no Brasil, marcado pela consolidação de redes de clínicas com múltiplas unidades e pela crescente adesão a planos odontológicos corporativos e individuais, mantém uma dinâmica de recebimento que combina repasses de operadoras de planos com parcelamentos diretos negociados entre a clínica e o paciente para procedimentos não cobertos por convênio. Essa combinação de fontes de receita, cada uma com prazo e forma de recebimento distintos, cria uma necessidade recorrente de capital de giro para redes que buscam financiar a abertura de novas unidades sem comprometer o caixa das clínicas já em operação.
Fundos de investimento em direitos creditórios lastreados nesses recebíveis surgem como alternativa para equalizar esse descompasso, permitindo que redes odontológicas antecipem parte da receita prevista, seja proveniente de operadoras de planos, seja de parcelamentos diretos com pacientes, junto a um fundo estruturado.
Repasse de operadoras convive com parcelamento direto ao paciente
A estruturação de um fundo lastreado em recebíveis odontológicos precisa considerar a coexistência de duas naturezas distintas de recebível dentro da mesma carteira: de um lado, faturas emitidas contra operadoras de planos odontológicos, sujeitas a prazos de repasse e a eventuais glosas semelhantes às observadas no setor de saúde suplementar mais amplo; de outro, parcelamentos diretos negociados entre a clínica e o paciente, cujo risco de inadimplência se assemelha mais ao observado em operações de crédito ao consumidor do que ao relacionamento entre prestador e operadora de plano de saúde.
Essa dualidade exige que administradores fiduciários desenvolvam metodologias de análise específicas para cada tipo de recebível, avaliando separadamente o histórico de repasse de cada operadora de plano odontológico e o perfil de inadimplência da carteira de pacientes que optam pelo parcelamento direto de procedimentos.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em recebíveis do setor de saúde, entre eles os relacionados à odontologia privada, aplicando a esses ativos processos de conciliação e auditoria de lastro adaptados às particularidades documentais de cada fonte de receita. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a companhia soma a esse segmento a experiência já consolidada em outras frentes do setor de saúde suplementar.
Padronização de protocolos favorece redes de maior porte
Redes odontológicas que adotam protocolos clínicos e processos de faturamento padronizados entre suas diferentes unidades tendem a apresentar uma carteira de recebíveis mais previsível e mais fácil de auditar do que operações com processos heterogêneos entre clínicas de uma mesma marca. Essa padronização, comum em redes que cresceram por meio de unidades próprias em vez de franquias com maior autonomia operacional, facilita o trabalho de conciliação do administrador fiduciário ao consolidar informações provenientes de múltiplas unidades geograficamente distribuídas.
Redes que operam sob o modelo de franquia, por sua vez, exigem uma camada adicional de padronização contratual entre a franqueadora e cada unidade franqueada, de forma que os critérios de elegibilidade de recebíveis aplicados pelo fundo sejam uniformes independentemente de qual unidade da rede originou o atendimento ao paciente.
Especialidades de maior ticket médio pesam na composição da carteira
Procedimentos odontológicos de maior complexidade, como tratamentos ortodônticos de longa duração e implantes, costumam envolver parcelamentos de valor mais elevado e prazo mais estendido do que consultas e procedimentos de rotina, o que os torna, ao mesmo tempo, mais atrativos como lastro de uma operação de crédito estruturado e mais expostos ao risco de inadimplência ao longo de um contrato de parcelamento mais longo. Clínicas especializadas nesse tipo de procedimento tendem a apresentar um perfil de recebíveis distinto de consultórios voltados majoritariamente a atendimentos de menor ticket médio e ciclo mais curto de pagamento.
Essa segmentação por tipo de procedimento leva administradores fiduciários a considerar, na composição da carteira de um fundo odontológico, não apenas a diversificação entre diferentes operadoras de plano e entre diferentes clínicas, mas também o mix de especialidades atendidas por cada unidade, de forma a evitar concentração excessiva em procedimentos de maior risco de inadimplência.
Perspectivas para o crédito estruturado no setor odontológico
Com a odontologia privada brasileira mantendo trajetória de consolidação por meio de redes de clínicas com múltiplas unidades, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas em recebíveis desse setor ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs voltada à área de saúde. Para administradores fiduciários especializados nesse tipo de operação, a capacidade de avaliar separadamente recebíveis de operadoras e de pacientes, além do mix de especialidades atendidas por cada rede, deve seguir como um diferencial técnico relevante para sustentar a confiança de investidores nesse segmento em expansão.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

