Boa Vista tinha pouco mais de 37 mil habitantes em 1970. Hoje, segundo Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário, a cidade passa dos 485 mil moradores, um crescimento de cerca de 13 vezes em cinco décadas, puxado por ciclos migratórios que nunca deixaram de existir na capital de Roraima, mesmo com variações de intensidade ao longo do tempo e diferentes origens de quem chega.
É possível perceber que esse tipo de crescimento populacional sustentado, mais do que qualquer campanha de marketing, é o que realmente movimenta o valor da terra numa cidade como essa ao longo do tempo, muito mais do que picos isolados de otimismo econômico.
Um crescimento populacional que não parou nas últimas décadas
A migração para Roraima tem históricos diferentes ao longo das décadas: primeiro os ciclos de garimpo e colonização agrícola, depois o crescimento do funcionalismo público e, mais recentemente, o fluxo migratório vindo da Venezuela, intenso desde 2015. Cada uma dessas ondas trouxe gente nova precisando de onde morar, e cada uma deixou marca própria no desenho da cidade, especialmente na zona oeste de Boa Vista, que concentrou boa parte desse crescimento recente.
Guilherme Campos frisa que, diferente de picos temporários, esse crescimento se manteve praticamente contínuo por décadas, o que muda a forma como a demanda por moradia se comporta no longo prazo. Não é um boom passageiro que se dissolve em poucos anos, e sim uma tendência estrutural que já atravessa gerações inteiras de moradores da capital.
Por que isso pressiona diretamente o mercado imobiliário?
Levantamentos recentes do IBGE mostram que quase um quarto dos moradores de Roraima vive hoje em imóveis alugados, um indicador direto de que a oferta de moradia própria não acompanha o ritmo de chegada de novos moradores no estado, mesmo com anos seguidos de lançamento de novos empreendimentos.
Guilherme Campos aponta que esse descompasso entre demanda e oferta é o que sustenta a valorização de terrenos e imóveis na região, mesmo em períodos de instabilidade econômica que afetam outras partes do país de forma mais dura, porque a demanda local não depende só do cenário nacional nem de um único setor da economia.
Onde essa demanda tende a se concentrar primeiro?
A valorização não acontece de forma igual em toda a cidade. Bairros que recebem investimento em infraestrutura antes, como pavimentação, rede de água e transporte público, tendem a valorizar mais rápido do que áreas que ainda dependem de obras públicas para se consolidar, mesmo estando a poucos quilômetros de distância uma da outra.
Guilherme Campos destaca que esse padrão se repete em praticamente toda cidade de crescimento acelerado: quem investe perto de onde a infraestrutura está chegando, e não onde ela já está pronta e cara, costuma capturar boa parte da valorização mais cedo, antes que o preço reflita a mudança e feche a janela de entrada mais barata.
O que isso significa para quem pensa em investir agora?
Entender esse ciclo de crescimento populacional ajuda a enxergar Roraima não como uma aposta isolada, mas como um mercado com pressão de demanda estrutural, sustentada por décadas de migração contínua, e não apenas por um momento passageiro de otimismo econômico que pode se desfazer com a próxima crise.
Para quem avalia investimentos imobiliários na região, esse pano de fundo importa tanto quanto o preço do metro quadrado no dia da compra, porque explica de onde vem a demanda que vai sustentar o valor do imóvel nos anos seguintes, muito depois de qualquer euforia inicial de lançamento. Quem quiser acompanhar mais sobre mercado imobiliário e desenvolvimento da Região Norte pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.

